11/22/2005

All apologies

Lembro de um cara que Tinha plena consciência de que faltava-lhe virtú. Sabia exatamente em que armadilhas caía toda a vez. Aliás, já havia deixado de espantar-se com o ciclo das cagadas que, inevitavelmente, acabavam por interromper o seu caminho.

Não podia, só por isso, ser considerado burro. Compreendia a fortuna, lia cada um de seus movimentos caprichosos e tinha uma noção impecável de onde cada onda havia de estourar, e o estrago resultante.

Se não fazia o menor esforço para impedir que passasse a vida assim, levado pela corrente, só podia culpar uma coisa. A vertigem que lhe acometia sempre que se encontrava em uma situação crítica. Essa traição suja do corpo, que se inutiliza perante a iminência da queda.